Projeto Educativo

A História da ESEIMU, desde o início até à actualidade

Os primeiros tempos

Pode afirmar-se que, desde a sua fundação em 1954, a ESEI Maria Ulrich teve uma perspectiva alargada da sua formação, nunca se limitando a formar para um único tipo de instituição, para um só método pedagógico ou para uma faixa etária única. Sempre desenvolveu uma pedagogia capaz de provocar nas crianças experiências de aprendizagem onde o saber se constrói activamente, assente no despertar da curiosidade sobre o mundo. Saber prolongar este desencadear da curiosidade ao longo de toda a infância é pois um desafio com o qual estamos em sintonia, correspondendo à necessidade de o ensino não se fechar na mera transmissão mecânica de conhecimentos.

A Escola sempre procurou formar para a complexidade e diversidade do mundo contemporâneo; sempre procurou conferir a capacidade de actuar com um elevado nível intelectual e reflexivo em classes heterogéneas do ponto de vista linguístico, cultural e social, de tal modo que as tarefas de aprendizagem se configurassem de modo atractivo e desafiador para as crianças. Numa época em que se reforça a multiplicidade das culturas, mais diversificadas que as próprias etnias, e em que se mantém elevado o absentismo escolar, também sob este ponto de vista, seremos capazes de desenvolver as dimensões pedagógicas e didácticas, neste caso, do 1º ciclo.
Aliás, a significativa empregabilidade dos nossos antigos alunos sublinha como esta adaptação à sociedade contemporânea se tem mostrado funcional e bem apreciada pelo contexto institucional, respondendo o mercado de trabalho como garantia do que temos realizado.

Apesar de o projecto inicial da escola ser sobretudo o da formação de educadores de infância, logo desde os primeiros anos, a Escola de Educadores esteve associada não só a um Jardim de Infância como a uma Escola Primária, a secção primária de O Nosso Jardim, à qual os estudantes sempre tiveram acesso, quer para estágios, quer para outras actividades, realizando igualmente os professores um intercâmbio de actividades e de saberes.

Esta perspectiva de continuidade na formação correspondeu no início ao conceito de que a infância não se reduz aos cinco primeiros anos de vida, antes se estende pelos anos da muito longa fetalização e maturação humana, até à autonomia que se alcança na idade adulta. Aliás, não se entenderia que pretendendo Maria Ulrich contribuir para a renovação da sociedade através das suas iniciativas educacionais, pensasse que o conseguiria educando crianças só durante os cinco primeiros anos de vida, por maior que fosse a importância estratégica destes anos no desenvolvimento pessoal. Não o pensou nem o fez, não só ao fundar a Secção Primária, como ao estimular os seus estudantes a trabalhar em actividades de animação e de campos de férias, indistintamente com todas as idades da infância.

Já na época de 1984-1991, os Cadernos do Curso Pós–Básico atestam, pelos seus títulos e conteúdo, esta óptica de continuidade educativa sempre presente no nosso Projecto Educativo e neste caso, presente como matéria deste curso pioneiro. Como se pode verificar na listagem incluída no pedido de autorização, só um dos nove temas se refere exclusivamente aos primeiros anos de vida.

 

História e cultura da Escola

A ESEI Maria Ulrich foi fundada em 8 de Novembro de 1954 por Maria Lima Mayer ulrich, que sobre a Escola escreveu:

“…A Escola teve uma gestação longa – mas, foi criada em dois meses apenas. Em princípio de Setembro de 1954 não havia dinheiro, nem casa, nem Professores, nem alunos. No dia 8 de Novembro abria, num andar de 4 divisões, ao largo da Estrela, modestamente mobilada, mas com um elenco docente de peso.

(…) Naquela casa pequenina por baixo da qual os jacarandás floriam na primavera, começou então uma experiência comunitária inexcedível entre alunas, professores e direcção. Se a criança só pode ser educada através de uma relação afectiva, importa que a Educadora eduque convenientemente a sua Própria afectividade.

Pois ali, através da troca e da amizade, a Escola procedia insensivelmente a essa formação afectiva. E as conversas, os debates, as discussões prolongavam-se para além das aulas… Ninguém tinha pressa de ir para casa, todas se sentiam em sua casa e ali podiam ser elas, inteiramente, naturalmente… Fervilhavam os interesses, os projectos e as iniciativas. O convívio prolongava-se com pessoas de fora, que vinham atraídas pela novidade e eram sempre bem acolhidas.

Esse convívio com o exterior manteve-se através dos anos. Raros foram aqueles que nos pudessem trazer qualquer contributo válido que não tivessem passado pela Escola, fosse qual fosse a sua cor política, para nos falar de assuntos pedagógicos, sociais, literários, artísticos, jurídicos mesmo, ou religiosos, num alargar de horizontes sobre o mundo.

É que desde o seu início, em que os seus programas eram decerto muito mais simplificados, o fito essencial da Escola foi o de uma formação humana.

Muito mais fácil então do que agora, em que as Técnicas têm tendência para invadir a formação polivalente da Educadora: técnica de educação musical, plástica, física, de iniciações escolares, etc… muito reduzidas então, mas supridas pela valorização pessoal e a intuição pedagógica.

A nossa Escola nunca se propôs, nem se propõe, formar técnicas – como infelizmente, por exigências de quadros, são denominadas por vezes as nossas Educadoras. Ela pretendeu sempre acima de tudo formar valores humanos, com um projecto de vida a propor… a transmitir, antes de mais à infância – tão receptiva sempre! – mas também para além desta às suas famílias e a toda a sociedade.”